Arquivo mensal: dezembro 2010

Penso, Penso, Penso, Logo Desisto

Pensar é bom e necessário.

Repensar é melhor ainda, por ser um sinal de maturidade e humildade que nos permite enxergar uma situação por outros ângulos, considerando mais (e possíveis melhores) opções.

Mas, pensar demais…

Pensar demais alimenta o medo, que alimenta o preconceito, que alimenta o pessimismo, que alimenta a dúvida, que alimenta o fracasso, que alimenta o arrependimento.

Pensar demais é o início da cadeia alimentar de um monstro horrível com um ferrão enorme e cheio de veneno, alimentado por arrependimentos e que só mata com estocadas certeiras no coração de suas vítimas (que na verdade não são vítimas de nada).

O veneno contido no ferrão do bicho feio é muito potente, causa muita dor e é capaz de matar: a angústia.

É muito menos angustiante quando agimos e percebemos algum erro, porque podemos até nos arrepender, mas sempre tiramos alguma lição e aprendemos alguma coisa.

A angústia é muito mais potente e letal quando nos arrependemos por aquilo que deixamos de fazer, porque, além de relativo, o tempo é finito.

Pouco importa se tivemos metade da vida ou menos de um segundo para pensar, repensar, decidir e agir. Ao perceber que a oportunidade se foi e o tempo jamais voltará, a angústia virá da mesma forma.

Ficar repetindo na mente suposições iniciadas em “E se…?”, tentando imaginar como tudo poderia ter sido diferente, só serve para deixar de viver o presente quando já se deixou de viver o passado.

Errar tentando acertar é o risco assumido por quem faz o seu melhor. Além disso, é a atitude principal de quem tem coragem de viver de sentir.

A ousadia foi uma marca registrada de uma época muito recente em minha vida, cheia de decisões importantes e corajosas, responsáveis por algumas dores e muitas felicidades.

Uma pessoa muito próxima afirmava reconhecer em mim uma pessoa destemida (não corajosa), tamanha a minha ousadia em certos momentos. Mas, agora, depois de o tempo passar, me sinto muito mais seguro por perceber minha determinação cheia de coragem, mesmo quando fui mais impulsivo.

Se eu tivesse pensado, pensado, pensado, teria desistido e deixado de viver tantas experiências boas e emocionantes… Por isso, ao invés de arrependimentos, sinto muito orgulho de minha vida.

A felicidade vem a nós através de atitudes; o arrependimento, geralmente, vem pelo medo de agir. Se as pessoas tivessem consciência disso, talvez deixassem de ter medo de sofrer e passariam a ter medo de se arrepender.

Condições ideais são utópicas!

Se você não tem uma folha pautada e certinha, escreva o roteiro do filme de sua vida num papel de pão! Uma bela história, cheia de emoções escritas num rascunho vale muito mais que um cartão em branco.

À princípio, pensei em colocar Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré, pensando nos versos;

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Mas, achei mais adequado linkar Emoções do Rei Roberto Carlos, porque:

“Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!”

Até a próxima!

(Adriano Duarte)

Anúncios

Pai, Eu Quero Entrar Numa Fria!

Achei muito interessante abrir meu Facebook e ver muitos dos meus amigos trocarem as fotos em seus perfis por imagens de personagens de desenhos animados que marcaram a infância. Foi um momento gostoso de nostalgia.

Foi impressionante a adesão. Acredito que todo esse sucesso de deve ao Face ser uma rede social mais dinâmica e mais madura, capaz até de seduzir a geração X.

A primeira imagem que veio à minha mente foi a do Andy Panda: personagem do desenho Pica Pau, que deixava o pai roxo de raiva sempre que repetia o bordão “Pai, eu quero entrar numa fria!”. Lembram?

No vácuo da imagem veio o insight de não trocar a foto e escrever sobre o assunto, até porque era algo que estava em meus planos. Há algum tempo, eu esperava uma oportunidade para fazer analogias entre a paixão e as necessidades fisiológicas.

Vou usar o Andy Panda como personagem que representa todo e qualquer ser humano que não sabe administrar os riscos que correm para viverem suas paixões. Quero deixar bem claro que estou me referindo à paixão no sentido amplo da palavra.

A paixão, seja ela pelo que for, é apenas uma necessidade básica fisiológica como qualquer outra.

A paixão é a necessidade básica mais difícil para o ser humano aprender a lidar por ser a que nos mata mais lentamente ou indiretamente.

Nascemos e aprendemos a respirar em instantes, por sabermos, de alguma forma, que não sobreviveríamos nem o primeiro dia sem oxigênio.

Às vezes, sem nem abrir os olhos, o bebê encontra o seio materno por instinto e tato, por saber que sobreviveria apenas alguns dias sem alimento.

Geralmente a primeira palavra aprendida e dita por uma criança é água, justamente por sentir que a sede pode matar muito rapidamente.

Migramos das fraldas ao troninho e dele ao “nos virarmos sozinhos” em poucos anos, por conta do medo de morrer de vergonha, depois aprendemos em casa e na escola os riscos morrer por alguma contaminação.

Aprendemos em poucos anos a administrar nossas necessidades básicas fisiológicas, escolhendo locais adequados, horários, etc…

Mas, demoramos 20, 30, 40, 50, 100, 150 anos sobrevivendo para aprendermos, ou não, a lidar com a paixão.

A paixão é apenas o estímulo encarregado de avisar a necessidade de saciar o corpo com algum tipo de prazer ou alegria, nos deixando alertas, criativos e capazes de suprir nossos desejos.

Mas, como tudo na vida, é necessário ter equilíbrio. Prazeres e alegrias em descontrole viciam, transformando a paixão em inconsequência.

A inconsequência pode transformar qualquer prazer em dor.

Quando estamos de fora, enxergamos com clareza a iminência de dor e sofrimento a que os inconsequentes apaixonados se expõem. Mas, como eles são como o Andy Panda, é inútil aconselhar, porque eles realmente estão dispostos a pagar o preço e “entrar numa fria”.

“Se conselho fosse bom, não se dava, vendia-se.” foi um ditado inventado por algum apaixonado, num momento de inconsequência.

O egoísmo do Andy Panda impõe ao pai dele uma única opção: Contar até dez, observando, angustiado com sentimento de impotência os riscos corridos sem necessidade pelo filho.

O apaixonado inconsequente não é capaz de reconhecer seus exageros, e quando a dor entra em sua vida sem pedir licença, ele decide reprimir suas paixões.

A paixão é a única necessidade básica que o ser humano é estúpido o suficiente para tentar reprimir.

Reprimir a paixão seria como optar fazer uma greve de sede ou de ir ao banheiro. Um sofrimento totalmente desnecessário, porque na hora que os pedidos do corpo se tornarem imposição… Não haverá como negar.

Por isso, ao invés de consideramos a paixão algo sagrado ou surreal, sugiro que a enxerguemos como algo natural, como beber e comer, buscando um estado de equilíbrio que nos permita alguns exageros pontuais.

Para fechar com chave de ouro, linkei o clipe de uma música super animada interpretada pela Márcia Castro, uma cantora maravilhosa que conheci há pouco tempo:

Até a próxima!

(Adriano Duarte)