Arquivo mensal: abril 2011

Dia de Faxina

Nos últimos dias, me peguei diversas vezes imaginando a seguinte cena: um balão subindo enquanto o ocupante, gradativamente, solta os pesos de areia presos ao cesto. Aquele homem expressava um admirável olhar de segurança ao voar, estudando o melhor momento para soltar os pesos, calculando mentalmente onde eles cairiam e a velocidade de subida que o balão ganharia.

Para o balonista, cada saco de areia lançado é apenas lixo, algo que deixou de ter sua utilidade a partir daquele momento.

Desde crianças, aprendemos que o lixo deve ser jogado no lixo, para vivermos numa sociedade mais limpa e saudável. Mas, ao longo da vida acumulamos lixo em diversos lugares, por preguiça ou ignorância, até que o dia da faxina se torna inadiável.

O dia da faxina costuma ser cansativo porque, realmente, dá trabalho selecionar o que deve ser jogado fora e o que deve ser limpo e guardado em seu devido lugar. Fazer faxina pode até ser doloroso para algumas pessoas, quando se hesita em jogar fora aquele objeto, como se sentíssemos gratidão pelos bons momentos proporcionados por ele, mesmo tendo plena consciência de não servir mais para nós.

Como nada se perde, tudo se transforma, precisamos descartar corretamente cada tipo de resíduo: contaminado tem que ser incinerado, o orgânico se transformará em adubo e os recicláveis serão reaproveitados.

Vamos eliminar o quarto da bagunça?!

Hora de limpar a gaveta, o armário, o banheiro, a cozinha, o resto da casa, a mesa do trabalho… para, enfim, limparmos a cabeça. Sim, a cabeça precisa de faxina. Jogando fora os preconceitos e as ideias que não servem mais, podemos voar muito mais alto e com segurança.

E para não esquecer de queimar o lixo contaminado, vamos ouvir “Incinerate”, com Sonic Youth:

Até a próxima!

(Adriano Duarte)