Arquivo mensal: abril 2014

Carrinho de Rolimã

Quando eu era moleque, uma ladeira de asfalto bem lisinho fez os meus olhos brilharem. Logo me animei a fazer um carrinho de rolimã. Fiz o primeiro, desci algumas vezes, me diverti, mas percebi que se ele poderia ser mais rápido se fosse mais bem feito de pesado. Em pouco tempo fiz outro, bem melhor. Aí sim, pude descer aquela ladeira com a velocidade que eu queria e me diverti muito! Sempre que descia, a emoção era grande e o prazer era enorme. Era pura alegria! Me diverti muito até… me arrebentar.

Perdi o controle do carrinho numa derrapagem e me machuquei feio. Mesmo sem ter quebrado nada, demorou para eu me recuperar.

Quando todos os machucados sararam, não pensei duas vezes. Fui descer aquela ladeira de novo, com o mesmo carrinho de rolimã.

Mesmo sabendo que eu poderia me arrebentar de novo, eu decidi correr este risco, não só pela emoção, prazer e alegria, mas porque eu sabia que seria forte o suficiente para me recuperar.

Eu desci inúmeras vezes e não me arrebentei mais. Posso ter dado sorte, mas com aquela derrapagem, fiquei mais esperto e aprendi a dominar os riscos.

Já pensou em quantas alegrias e prazeres eu deixaria de ter vivido se eu tivesse desistido só porque me arrebentei?

Se você já se arrebentou um dia, tenha coragem de descer a ladeira de novo,se suas ferias estiverem curadas. Se não estiverem, cuide-as com carinho, mas mantenha viva a vontade de sentir o friozinho na barriga e o vento no rosto.

Friozinho na barriga e vento no rosto… Que delícia!

(Adriano Duarte)

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