Arquivo mensal: janeiro 2018

O Martelo Está Batido?

24 horas se passaram.

Fogos de artifício foram soltos e muitos pneus foram queimados em manifestações polarizadas.

Inúmeros memes foram criados e divulgados em todas as redes sociais. A maioria rindo da desgraça que acredita ser alheia; mas não é. Uns poucos lembrando que a justiça, que sempre foi cega, se tornou surda também, mas liga o aparelho auditivo quando convém, como em encontros fora de agenda oficial entre juízes e denunciados.

O Lula foi condenado pela segunda vez e teve a sua pena aumentada, mas não foi preso e acredito que vai demorar para isso acontecer; se acontecer.

Quem apoia o Lula está demandando toda a energia para garantir a candidatura dele na próxima eleição.

Mas, desde ontem, estou pensando com os meus botões na seguinte questão:

O que está em jogo não é a candidatura do Lula; é o direito ao voto do povo brasileiro.

A mídia e internet que chama um certo nada de mito é a mesma que está, desde ontem, alimentando o medo da desestabilização do país caso o Lula vire um mártir.

Por trás das mídias, redes sociais, togas e gravatas está um deus bastante narcisista que precisa ser louvado e idolatrado: o Mercado.

Este deus, o Mercado, determina quem vai viver no céu ou no inferno. Este deus, o Mercado, é quem julga, condena e solta. Este deus, o Mercado, determina quem vai fazer o que, quanto cada um vai ganhar e quem não vai ganhar nada.

Neste momento, o deus Mercado está tentando mostrar sua onipotência através de sua onipresença.

Neste momento, o deus Mercado quer que o mundo acredite que o Brasil vive uma democracia e que os representantes são escolhidos pelo povo.

Mas esse deus Mercado, tão narcisista e onipotente, ficaria feliz se o povo escolhesse representantes que não estivessem dispostos a louvá-lo, idolatrá-lo e, principalmente, serví-lo?

Creio que não.

O momento histórico que estamos vivendo não é a condenação do Lula ou o sucesso da Lava-jato; vivemos o momento em que o deus Mercado perdeu o pudor de esconder sua máscara de crueldade.

Bilhões de reais que poderiam ser utilizados na Saúde ou Educação, servirão para custear campanhas políticas de quam já está no poder, tornando desigual e covarde a disputa.

A maioria absoluta da população brasileira, infelizmente, é ignorante e não é capaz de ultrapassar a barreira da polarização para discutir soluções para os nossos problemas políticos, sociais e econômicos. Mas acredito que a parcela que tem condições passou de pequenina para pequena. Pode não parecer grande coisa, mas pode ser um ganho significativo para o país.

Com Lula ou sem, as eleições acontecerão. Mas o resultado que prevejo é o seguinte: se o deus Mercado não ganhar a eleição pelo voto dado pelo povo, haverá outro golpe.

Apesar do cenário ser absurdamente pessimista para a democracia e o povo brasileiro, acredito que devemos nos unir para garantirmos o nosso direito ao voto. Ruim com ele, pior sem ele!

Eleger, em, grande número, representantes legislativos e executivos que tenham coragem para resistir aos caprichos do deus Mercado, enfraquecendo os partidos que são franquias desse narcisista, é a nossa única chance.

O deus Mercado não precisa de reza; precisa de dinheiro, o seu, o nosso dinheiro, para sobreviver, mas não temos poder econômico para deixar de alimentar essa coisa faminta sem uma ação coletiva e coordenada. Uma ação coletiva e coordenada para minar o poder econômico do deus Mercado seria, muito facilmente, confundida com comunismo. E não é à toa que a propaganda contra o comunismo está a todo vapor.

O martelo batido ontem foi de condenação ou leilão?

Vamos parar para pensar?!

Vamos encontrar formas para agir?!

Ou vamos nos digladiar pelo direito de sermos escravos do deus Mercado?

Enquanto nós não fizermos nada, seremos tão bois de piranha quanto o Lula.

(Adriano Duarte)

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